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Um Outro

Há sonhos que não pedimos para sonhar. Eles vêm, acomodam-se, preenchem todos os espaços e nos fazem sonhodivagar. Um Outro que me assola é um encantamento que não pedi. Um Outro que me assusta é um sonho que não quero sonhar. Minha alma, flutua perde-se... No espaço de um apaixonésimo de segundo. E, com ela, se vão todas as minhas razões! 15/02/2012

NOBODY SAID IT WAS EASY...

Nobody said it was easy... Sinto a alma desprender vagarosamente Do meu corpo. Não dói, não surpreende... Apenas eleva-se... Nobody said it was easy... Um frio como nunca sentira antes Um calor como não sei se sentirei jamais Desafiando a leveza do meu ser Levanto os braços em direção ao nada Nobody said it was easy... Não é como morrer e acabar Parece mais como viver e não mais existir Olho por sobre... Olho por dentro... Nobody said it was easy... Não sinto as mãos que me tocam Mas o desejo desesperado de me possuir I had the desire to fly But nobody said it was easy... 26-02-2012
NATURALMENTE (14/02/2012) O vento morno toca  minha pele, beijando-me suavemente. Traz com ele um cheiro almiscarado, o cheiro do desejo, um cheiro másculo. Lágrimas forçam passagem nos meus olhos. R etenho-as. No alto do penhasco, o vento, agora, domina meu corpo. É forte, é intenso, abraça-me. Abro-lhe os braços, r ecebendo-o em mim. Os cabelos, a o seu sabor, não desdenha sua ordem: Move-se, remove-se, chicoteia meus lábios. Tremores, Espasmos, inclino a cabeça e inspiro para matar minha fome, minha sede. Retenho e vento, saboreio o vento. Ele está em mim, sobre mim, ao meu redor. Já não é mais entardecer, ainda não é anoitecer. Deixo-me, ali, à beira do penhasco, num hiato ele se foi. A pele marcada pelo arrepio, agora, esfriando... Suspirando, em transe para o momento da despedida. Após o momento do encontro deixando somente o não saber.

O BAILE

Por: Genilse Lucas Pimenta. 17/Jan./2012.             João Nogueira cantou há algum tempo que haveria um baile lá no Maracanã. Pois é. Hoje haverá um baile. Mas não é domingo e nem será o Flamengo.             O salão tem nome de nobre: Barão de Serra Negra.             O anfitrião é nobre também: o XV de Novembro de Piracicaba.             Os convidados, mais nobres ainda: uma cidade inteira!             É um baile daqueles muito esperados: o de casamento, o de formatura, o de debutante; é rave da garotada, o pagode da moçada, o bailão da peãozada, o aniversário do melhor amiguinho, a quermesse da paróquia...             Os convites devidamente distribu...

Encontros...

Genilse Lucas Pimenta No céu cheio de estrelas A lua clara a brilhar, A avenida toda cheia De rostos estranhos a caminhar. Nos bares o papo é descontraído Entre amigos e amores Dois pares de olhos que se cruzam Com o mesmo brilho nas diferentes cores. Um é claro; o outro é escuro. Um é ele; o outro é ela. Ele é forte, é seguro. Ela é frágil como uma flor bela. Não são necessárias as palavras, Apenas olhares e um simples toque Um forte calor vem à tona Fazendo com que todo desejo entorne. São homem e mulher se descobrindo, Duas pessoas se entendendo De dentro dele um garoto saindo De dentro dela uma mulher nascendo. A emoção tomando conta da cabeça, Pois o corpo já está tomado. Um se fundindo ao outro Necessitando que o prazer seja completado. É uma loucura o que acontece Entre duas pessoas diferentes Que pouco se conhecem Mas precisam um do outro, presentes. De repente o silêncio chega. Nele, um sorriso satisfeito. Nela, um sorriso sonhador. Para ambos, fo...

Respostas?

Genilse Lucas Pimenta Afinal, o que escorre entre os dedos? O tempo? A vida?   Os sonhos? As lembranças? O viço da pele? A cor dos cabelos? Talvez, os dentes que se amarelam, ou desgastam? Somos sempre levados a pensar em multiplicidades... a mulher, a mãe, a trabalhadora, a amante, a filha, a frágil, a forte, a apaziguadora, a insana, a tia, a namoradinha, a outra, a profissional, a   incansável...nunca temos sinônimos ou adjetivos que pareçam bastar. Por quê? Se usarmos uma metáfora esportiva, somos as atletas dos 400 metros com barreira, que no final das contas, tornam-se 80 ou 90 anos com barreiras. Temos que atravessá-las, todas. Por quê? Corremos sem parar nem ao menos para olhar nossos rastros. Somos incansáveis! Não! Definitivamente, não somos incansáveis! Não somos deusas da beleza, da fertilidade, da guerra, da paz, do amor, da luxúria, da colheita, dos destinos... Perdoem-me Afrodite, Ártemis, Deméter, Perséfone, Íris... Elas eram deusas, nós somos mulheres! Mulhe...

De Menino e de Dragão

Por Genilse Pimenta Rhanif trabalhava nas colheitas de trigo, no pastoreio de animais e ajudava alguns pescadores que lhe davam parte de seus pescados. Apesar da pouca idade, Rhanif cuidava da sua família, que contava com a mãe e quatro irmãs mais velhas. A pobreza era recorrente em todo vilarejo onde o menino vivia, entretanto não havia falta de alimento para as pessoas do lugar. Este, de caráter rural, tinha grandes fazendas que pertenciam aos senhores ricos, cujos hábitos não incluíam a generosidade ou a solidariedade. Mesmo com todas as dificuldades por qual passava, Rhanif sentia-se feliz quando, durante a colheita, o trigal parecia um mar dourado ao pôr-do-sol. Essa felicidade decorria do fato de que ele próprio tornava-se dourado, iluminado. Nesses momentos de devaneio, o menino sonhava e abria seus finos braços como que tentando abarcar toda a grandeza da natureza, todo o esplendor da fertilidade do cereal. Enfim, sonhava e acreditava com toda força de seu coração que era um se...